As cores de John Dalton

jul 18, 2011 2 Comments by

Portador de uma doença ainda não diagnosticada em sua época, Dalton que era um pesquisador incansável da metereologia, deixou seu nome gravado para sempre na história da ciência como o criador da primeira teoria atômica moderna e pela descoberta da anomalia da visão das cores conhecida hoje por daltonismo ou dicromatismo.

 

 

Em 1794, depois de ter realizado muitas observações sobre certas peculiaridades da visão, Dalton descreveu o fenômeno da cegueira congênita para as cores, que se verifica em alguns indivíduos. Começava ali uma jornada para desvendar está especial diferença.

Uma vez que esse problema está geneticamente ligado ao cromossomo X, ocorre com maior frequência entre os homens, que possuem apenas um cromossomo X, enquanto mulheres possuem dois.



Os portadores desse gene apresentam dificuldade na percepção de determinadas cores primárias, como o verde e o vermelho, o que se repercute na percepção das restantes cores do espectro.

Esta perturbação é causada por ausência ou menor número de alguns tipos de células do olho chamadas  cones, ou por uma perda de função parcial ou total destes, normalmente associada à diminuição de pigmento nos foto receptores que deixam de ser capazes de processar diferencialmente a informação luminosa de cor.


Células Cone

A retina humana possui três tipos de células sensíveis à cor, chamadas cones. Cada um deles é sensível a uma determinado faixa de comprimentos de onda do espectro luminoso, azul-violeta, verde e verde-amarelo.

A classificação dos cones em “vermelho”, “verde” e “azul” (RGB) é uma simplificação usada por comodidade para tipificar as três frequências alvos, embora não corresponda à sensibilidade real dos foto receptores dos cones.

Todos os tons existentes derivam da combinação dessas três cores primárias. As tonalidades visíveis dependem do modo como cada tipo de cone é estimulado.

A luz azul, por exemplo, é captada pelos cones de “alta frequência”. No caso dos daltônicos, algumas dessas células não estão presentes em número suficiente ou registram uma anomalia no pigmento característico dos foto receptores no interior dos cones.

 

Tipos sim,  intensidade não!

Não existem níveis de Daltonismo, apenas tipos.
Podemos considerar que existem três grupos de discromatopsias: MonocromaciasDicromaciasTricromacias Anómalas.


Monocromacia
ocorre quando há apenas percepção de luminosidade na visão dos animais. São as células bastonetes as responsáveis por esta percepção, que permite variações diferentes da cor cinza. Normalmente, os monocromatas apresentam a chamada “visão em preto e branco”.

- O monocromata típico é caracterizado pelo monocromatismo de bastonetes, que corresponde a uma discriminação de cores nulas pela falta de cones. Ocorre na população humana com uma incidência de 0,003% nos homens e de 0,002% nas mulheres.
Essa característica é encontrada em muitos animais, como aqueles de hábitos noturnos, peixes abissais e pinguins.

- O monocromata atípico possui um monocromatismo de cones, assim a não discriminação de cores é devido a falta de sinais oponentes por ter apenas um tipo de célula cone. É muito raro na população humana.
É encontrado em alguns animais, como em alguns ratos e no quivi, ave neozelandeza que enxerga tons no espectro da luz verde.

 

Dicromacia, que resulta da ausência de um tipo específico de cones, pode apresentar-se sob a forma de:

Protanopia (em que há ausência na retina de cones “vermelhos” ou de “comprimento de onda longo”, resultando na impossibilidade de discriminar cores no segmento verde-amarelo-vermelho do espectro).

Deuteranopia (em que há ausência de cones “verdes” ou de comprimento de onda intermédio, resultando, igualmente, na impossibilidade de discriminar cores no segmento verde-amarelo-vermelho do espectro).
Trata-se uma das formas de daltonismo mais raras (cerca de 1% da população masculina), e corresponde àquela que afetou John Dalton (o diagnóstico foi confirmado em 1995, através do exame do DNA do seu globo ocular).

Tritanopia (em que há ausência de cones “azuis” ou de comprimento de onda curta, resultando na impossibilidade de ver cores na faixa azul-amarelo).

Tricromacia anómala resulta de uma mutação no pigmento dos foto receptores dos cones retinianos , e manifesta-se em três anomalias distintas:

Protanomalia (presença de uma mutação do pigmento sensível às freqüências mais longas (“cones vermelhos”). Resulta numa menor sensibilidade ao vermelho e num escurecimento das cores perto das freqüências mais longas (que pode levar à confusão entre vermelho e preto). Atinge cerca de 1% da população masculina.

Deuteranomalia (presença de uma mutação do pigmento sensível às freqüências intermédiárias (“cones verdes”). Resulta numa maior dificuldade em discriminar o verde.
É responsável por cerca de metade dos casos de daltonismo.

Tritanomalia (presença de uma mutação do pigmento sensível às freqüências curtas (“cones azuis”). Forma mais rara, que impossibilita a discriminação de cores na faixa do azul-amarelo. O gene afetado situa-se no cromossoma 7 ao contrário das outras tricromacias anômalas, em que a mutação genética atinge o cromossoma X.

 

Um tipo raro de daltonismo é aquele em que há uma “cegueira” completa para as cores: o mundo é visto a preto e branco e em tons de cinza. Nesse caso, estamos perante aquilo a que se dá o nome de visão acromática.

A OMS (Organização Mundial de Saúde) tem como recente estatística que um em cada treze homens possua algum tipo de daltonismo.
Nas mulheres é de uma a cada trezentas.

 

Curiosidades

- Uma pesquisa feita por cientistas da Universidade de Cambridge demonstrou que algumas formas de daltonismo podem, na verdade, proporcionar uma visão mais aprimorada de algumas cores.
- Durante a 2ª Guerra Mundial descobriu-se que os soldados daltônicos tinham mais facilidade em detectar camuflagens ocultas na mata.
- Os daltônicos possuem uma visão noturna superior à de uma pessoa com visão normal. Eles também são capazes de identificar mais matizes de violeta do que as pessoas com visão normal.
- A maioria dos daltônicos não sabe que possui esta anomalia.
- A percepção das cores varia muito de uma pessoa com daltonismo para outra.
- O pintor Vincent Van Gogh sofria de daltonismo.
- Os daltônicos vêem, em média, entre 500 a 800 cores.
- Normalmente as cores prediletas de quem tem esta alteração genética são o azul ou roxo, por verem cores vivas.
- Para os daltônicos o arco-íris não possui 7 cores.

 

Químico, meteriologista e físico nascido em Eaglesfield-Cumberland (Inglaterra), em 6 de setembro de 1766, John Dalton faleceu em Manchester, em 27 de julho de 1844 após cair de sua cama devido as complicações de um segundo acidente vascular cerebral.

Como já foi lido acima, Dalton não enxergava os verdes e os amarelo-verdes e foi atrás do diagnóstico.

 

Se você é daltônico de qualquer tipo, não se aflija.
Toda natureza é a prova de pura adaptação.

Tudo é adaptação.
Seja em milhões de cores, ou com a total ausência delas.

 

Um abraço e ótima semana!

 

Fontes: Revista Professional Publish Nº 96 (pág. 62 63)  -  Wikipédia  -  BBC Online

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2 Comentários para “As cores de John Dalton”

  1. Leandro Vaz says:

    Excelente, matéria, pois aborda um problema que as pessoas, muitas vezes não sabem que possuem.
    Para nós, fotógrafos é essencial saber, o que estamos enchergando, se é a mesma cor do colega ao lado ou a cor que o cliente esta vendo.
    Eu mesmo tenho daltonismo, parcial para verde e vermelho, ou seja não enchergo os mesmos tons de cores que as pessoas normais enchergam. Assim o meu olhar é diferente, o meu vermelho e o meu verde, não são iguais ao da maiori a das pessoas.
    Sebendo disso, ja calculo a diferença e as vezes pesso refêrencia para alguem me dizer o que não estou vendo.
    Abrçaço ao pessoal da Viacolor e parabens pelo sucesso, num mercado, que esta em constante e rapida trasformação.

    • Blog da Via Color says:

      Obrigado pelo comentário Leandro, realmente essa situação precisa ser diagnosticada pois quem trabalha com cores precisa visualizar as mesmas (as exatas). O sucesso nesse caso, depende disso!
      Um grande abraço de toda equipe Viacolor!!

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